Medo da violência revigora tendências autoritárias 

//Medo da violência revigora tendências autoritárias 

Medo da violência revigora tendências autoritárias 

 

Em matéria publicada neste domingo, 25, a Folha de São Paulo analisou o atual cenário político e as tendências eleitorais para o País. Segundo o jornal, o Brasil começa a flertar com o desmanche do Estado democrático de Direito inaugurado pela Constituição de 1988. A afirmação é forte, mas nem por isso menos verdadeira. Parcela significativa e crescente do eleitorado não vê nenhum problema nesse desmantelamento. Ao contrário, imagina que a adoção de uma linha dura deixaria o país perto do que há de mais moderno no brechó do mundo dos negócios e das economias desenvolvidas.

Entre indignados e perplexos, “vamos nos dando conta dos riscos embutidos neste momento surreal vivido pelo Ocidente. Propostas salvacionistas dão o tom do tempo social: enquanto se valorizam líderes pretensamente capazes de restaurar a ordem e recolocar a sociedade nos trilhos, a democracia perde espaço e as tentações autoritárias se multiplicam.”

A vitória de Donald Trump nos EUA e a votação expressiva da extrema direita em algumas partes da Europa atestam que o discurso do medo e da intolerância voltou a ser estratégia eleitoral bem-sucedida.

A retórica inflamada contra imigrantes, associados de forma genérica ao terrorismo, alimenta o temor cotidiano e pavimenta o caminho para arautos do ultranacionalismo e defensores de plataformas tipo “law and order” (lei e ordem).

No caso brasileiro, os estímulos são outros. Os elevados índices de criminalidade e as baixas taxas de solução dos delitos suscitam sensação de desalento em relação à segurança pública.

Têm cada vez menos apelo as propostas de construir uma sociedade mais segura e cidadã, suplantadas, em segmentos distintos da população, pelo arbitrário “pega, mata, esfola”. Não há pudor em afirmar que “bandido bom é bandido morto” ou que “a população deve se armar para se proteger”.

A deterioração da política e a petulância dos corruptos provocam merecidas ondas de indignação, mas é a violência urbana que de fato deixa os brasileiros sitiados.

Cometida por indivíduos criminosos, perpetrada pela própria sociedade ou levada a cabo pelo Estado, a violência é vista e aceita como parte constituinte de nossas relações sociais e, muitas vezes, termina legitimada como resposta às ameaças e incertezas.

Têm cada vez menos apelo as propostas de construir uma sociedade mais segura e cidadã, suplantadas, em segmentos distintos da população, pelo arbitrário “pega, mata, esfola”. Não há pudor em afirmar que “bandido bom é bandido morto” ou que “a população deve se armar para se proteger”.

A deterioração da política e a petulância dos corruptos provocam merecidas ondas de indignação, mas é a violência urbana que de fato deixa os brasileiros sitiados.

Cometida por indivíduos criminosos, perpetrada pela própria sociedade ou levada a cabo pelo Estado, a violência é vista e aceita como parte constituinte de nossas relações sociais e, muitas vezes, termina legitimada como resposta às ameaças e incertezas.

 

foto (ilustração Alexandre Teles)

 

 

 

 

 

2017-06-26T17:51:47+00:00 junho 26th, 2017|Categories: Últimas|0 Comments

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